quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Mancha Urbana


Mancha Urbana... - 2006
Acrílico sobre tela ,100 x 150 cm de L. Silveira



A mancha urbana da noite
esbate-se num fogo morno,
pisando o chão da Cidade.

Com passo firme,
esconde o grito surdo e a má sorte,
pelos dias de ruas vazias.

Perdido no tempo,sente a casa
despida de contornos.

Hoje, um passeio ao entardecer.
Na rua antiga, feita de palavras,
brinca com as pedras da calçada.
Em cada aresta sente tremer o chão.
Nos prédios manchados pelo tempo,
o perfil branco ou rosa, envelhecido.
Quente, o sol, lembra a hora de partir.
De longe , parecerá  perdida, a Cidade.
Traço a traço, deixa soltas as linhas
e, de mãos vazias, afasta-se dela...


Sem saber se é mancha ou jogo de luz.
Onde se revela ou esconde, tanto faz!



segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Memórias de Natal













Leva-me o pensamento para tempos distantes.


O musgo, suavemente retirado dos campos, fazia o chão verde e fresco do presépio.
As imagens eram colocadas a preceito e o Menino, rodeado de calor, naquela cabana  de pequenos troncos, parecia sorrir...
Descalços, os nossos pés dormiam presos ao sapato deixado junto à chaminé!
Um chocolate, uma boneca...
Havia sempre qualquer coisa, mesmo que pequenina!

Gostaria que todas as crianças pudessem ter um colo, um pedaço de pão, alegria e esperança.


A verdadeira essência desta época e da vida está nos gestos simples…
Um sorriso, o olhar de um rosto sereno, a bondade de quem sabe dar e receber.
É Natal!



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Memórias



" Quando não posso falar,
Fico em silêncio!"



I



Encosto a mão,

Abro a janela, num movimento singular.

Percorro o espaço que dele me separa.

A árvore, seus braços convidam,

Chegar ao ramo mais alto,
Colher o fruto maduro e doce...

(10 -01- 2007)


II

Encosto a janela,
Fecho as palavras no momento de partir.
Fica a linha do horizonte presa no olhar
E este espaço de palavras musica e imagem
Além do Horizonte ...



sábado, 3 de novembro de 2012

Asas Brancas


ASAS BRANCAS




"Quando era pequenino a desventura

Trazia-me saudoso e triste o rosto,

Assim como quem sofre algum desgosto,

Assim como quem chora de amargura.



Um anjo de asas brancas muito finas,

Sabendo-me infeliz mas inocente,

Cedeu-me as suas asas pequeninas,

Para me ver voar e ser contente.



As asas de criança, meu tesoiro,

Ao ver-me assim tão triste, iam ao céu...

Tão brancas, tão macias -- penas de oiro --

Tão leves como a aragem... como eu!



Cresci. Cresceram culpas juntamente,

Já grandes são as mágoas mais pequenas!

As asas brancas vão-se... e ficam penas!

Não mais subi ao céu, nem fui contente."


...Quando era bem pequenina, pegavas-me ao colo e tudo parecia mudar de repente
Fugiam os medos e voltava o riso, sentia-me grande embora sendo tão menina

Hoje apetece-me pegar nesse par de asas, subir ao azul do céu acinzentado dos teus olhos
Dar-te um beijo, sorrir para ti e saltar para os teus braços, no abraço que te deixo

Quem parte fica sempre no nosso coração
No todo do tudo que em mim és, PAI


(23/3/1923 - 3/11/2011)



domingo, 9 de setembro de 2012

O chão que pisas ...





À noite, as estrelas  são luz .
Outras, de dia, perdem brilho.

Algumas, aparentemente frias,
de si, dão toda a vida e calor .


Estrela,
numa canção d’embalar...



 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Nome de Mar






Para além do horizonte,

Seguem o seu caminho,

Partem sem dizer adeus.


 

Elas, as palavras escritas,

    Desaguam no mar de silêncios.








domingo, 5 de agosto de 2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Tons e Sons ...





 
... Entre tons e sons, no silêncio, quase sinto a música do piano, da flauta, de um violino...
Uma guitarra, no fado cantado! O adufe e a voz do campo, da terra...


O azul do mar, onde o olhar se prende ou se solta.
Podemos senti-lo de forma diferente: tranquilo , sereno , revolto, em ondas mais agitadas...


Mas é preciso saber ver, ouvir; querer sentir !

...não sabia quando iria voltar a escrever.

Acredito que, na vida, há o tempo certo para dizer ou ficar em silêncio.

Nem sempre sabemos se o mar vai estar tranquilo no minuto seguinte...
Se a brisa fica mais forte e o vento solta a areia!
Porque uma nuvem segue o seu caminho ou chega o tempo de chover!

Mas, se estivermos atentos aos tons e sons que nos envolvem, a clave de sol ficará mais nítida na pauta dos dias.






sábado, 28 de julho de 2012

Em que pensas...







Além do Horizonte ...
Um espaço de
palavras,música e
imagem ...


Era esta a apresentação do meu primeiro Blogue que mantive entre novembro de 2006 e janeiro de 2009.
Mais tarde,  ficou apenas o registo em papel.A pouco e pouco, como tenho vindo a fazer, colocarei aqui alguns poemas, momentos/ memórias desse espaço.
Devo-o a mim e a quem, comentando ou dizendo-o pessoalmente, me incentivou a continuar nesta partilha de palavras soltas - entre tons e sons.


 

-Em que pensas, Vento?
- Agora não quero pensar!

O vento bom, mesmo breve
enquanto passa no tempo,
  se não o diz, deixai o Vento
descansar só, em silêncio.