terça-feira, 29 de outubro de 2019

SEGUNDA CHANCE





(Divagações breves)

Como dizer-lhe que estar à sombra de si mesmo ou do outro, nada lhe acrescenta, só doí!
Como pedir-lhe que caminhe a seu lado e não queira brilhar demais, ofuscando o brilho natural que todos merecem...
Como lembrar que nada mais engrandece o outro, se de nós damos a simplicidade e oportunidade para crescer sem a solidão dos dias?!
Então, dá  uma segunda chance de seres sem apenas parecer, de estares sem que dêem por ti, de agires assertivamente, na mão dada à vida.
Dá uma segunda chance, ao lembrares quem ignoraste ou erradamente julgaste, por ti mesmo, que não pelo outro...
A segunda chance não é o assumir de erros ou afastamentos, pedidos de desculpa ou esquecimentos...
Nem tão pouco justifica distâncias com atitudes que não tomámos, proximidades que não queremos!
É apenas e só por merecimento ou bem querer...
Dá-te uma segunda chance!








sábado, 26 de outubro de 2019

Doce magia





Apenas pelo toque
nos cinzentos dias
Dás cor à vida

Por tuas mãos
Ingénua idade
Doce magia

.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

A CARTA







Escolheu o seu papel cuidadosamente 
como se fosse o mais bonito vestido. 
Pensou em todas as palavras já ditas
 E deixou a música tocar sem pausas.

O seu vestido de festa compôs o papel.
Talvez lembrando outra música ou a voz,
Embalando letras, num passo de dança,
Passo a passo, escrevendo novas palavras.


Há quanto tempo não escrevia uma carta,
Não sentia o cheiro da tinta nas entrelinhas
Ou o deslizar da sua mão firme mas leve,
Dizendo da vida , dos dias, dando notícias .



(A carta seguiu nesse mesmo dia...

Até hoje aguarda por uma resposta!)









terça-feira, 20 de agosto de 2019

Horizontes




Vincent Van Gogh




I
Nas histórias de vida, em viagens,
Quantos rostos se olharam no rio,
Caminharam pelas suas margens,
Tropeçaram no verde que derrubaram,
Rasgaram o chão, ergueram as casas.
Lavaram as mãos nas águas quentes,
Subiram a encosta e olharam a cidade.




II 
Partiu para longe, no crer de novos horizontes.
Levava no olhar a idade de quem ainda ousava sonhar.
Na cidade deixou um beijo e partiu sem saber se voltaria,
Num tempo que mais tarde escreveu e guardou...
Hoje as palavras contam e cantam que a cidade cresceu
e o passado ficou no registo de um pedaço de papel...


III
Pensais conhecer o coração dessa cidade?
Será que nasceu onde caíram sementes?
Nunca vereis se foi lágrima, riso ou saudade,
As ilhas que habitaram as palavras ausentes.
Cidade, que de  verdade, pode ou não ser, 
O que quereis ler, nesses versos distantes.
Caminhai então, pelas ruas dessa claridade.
E assim, quem sabe, doces e alvos poentes.






terça-feira, 13 de agosto de 2019

FLOR DO CAMPO V







Flores do campo quem diria
Capazes de tal atrevimento
Juntaram-se ao amanhecer
E sons nasceram neste dia

Escolheram cores quentes

Vestiram-se em tons de festa
Num jogo de "faz de conta"
O vento levou-as para longe

À chegada cansadas mas felizes
Presenteiam-te com seu perfume
Voam rodopiando para tua alegria
Dançam sorriem e celebram a vida










terça-feira, 6 de agosto de 2019

NO TEU POEMA






 LETRA E MÚSICA : José Luís Tinoco
 INTÉRPRETE: Mafalda Arnauth

NO TEU POEMA
(...)
"
No teu poema Existe a esperança acesa atrás do muro Existe tudo mais que ainda me escapa E um verso em branco à espera... do futuro."

terça-feira, 30 de julho de 2019

NO ENCANTO DA VIDA





song off my life - fotografia de Martina Skrobot


Que das esperas
Somos feitos
No canto da vida
Enquanto esperas 
Não digas nada
Escuta o silêncio

Não digas nada
Nem tenhas medo
Sem esquecimentos
Lembra-te como é
Abre as tuas asas
E segue o vento

Se ainda esperas
Canta de novo
Só mais uma vez
Sem despedidas
(e)terno é o teu voar
No encanto da vida



terça-feira, 23 de julho de 2019

À nossa janela!






I)


Uma janela aberta, clara , luminosa e nova.
De cortinas lisas,  debruadas no ponto certo.
Linhas entrelaçadas com os toques de mãos, 
Soltas e livres, algodão preso em pano cru.

Da janela, agora quase perfeita, a pedra lisa.
Seu suporte e  amparo, a sua força e graça.
Na transparência do vidro frágil e verdadeiro,
Soltas e leves, folhas de hera continuam vivas.

Pela janela e quase por graça, vejo-a passar,
De asas soltas, no abraço ao vento da manhã.
A andorinha busca o lugar para o seu ninho e
Pousa curiosa no peitoril, à espreita para me ver!

II)
Que sejam sempre assim as janelas dos teus dias...
Com a força do granito, a transparência do vidro,
a luz do sol e todos os tons que nestas folhas possas ver!


terça-feira, 16 de julho de 2019

DIVAGAÇÕES BREVES






I)
Hoje, neste instante, o sol teimoso e quente não me deixa ver o teu rosto e diz-me que tenho de esperar  umas horas! 
Troco-lhe as voltas e finjo que sou mais forte, mesmo que não o seja...
Escondo-me na sombra de uma  árvore, esperando pela brisa  fresca do teu olhar, sem tempo nem relógio que nos marque a hora de chegar ou ir embora.
Esse tempo único e insubstituível , só nosso, na vida que o sol nos concede, a cada novo amanhecer.

Este tempo, somos nós,  trazendo do passado a luz nas mãos e palavras soltas, guardadas cuidadosamente no leito de um rio. 
Basta um instante e tudo pode mudar. 
Talvez chova mais logo mas agora é dia de não chover...


II)
Damos de nós o tempo que pode ser o breve instante de um abraço, uma palavra, um gesto e até o tempo partilhado de um silêncio, onde não são necessárias palavras. 
O tempo de um olhar, um pensamento, por bem querer.
Ou não damos tempo e somos ... nada!