domingo, 20 de setembro de 2020

O TEMPO






As horas que nem sempre temos
os segundos que inventamos
Os minutos que aproveitamos

O tempo que não temos na hora
Ou o que nos sobra e esquecemos
O tempo de estar ou ir embora 

Ou o momento de chegar e ficar
Guardar o relógio numa gaveta
E dar do tempo, o tempo certo

--- Talvez agora! Ou depois...

domingo, 13 de setembro de 2020

FLOR DO CAMPO VI





Por teimosia ou por amor
As águas seguem livres
Dão de beber à dor no leito
Mas cuidam das margens
Onde crescem
Para alegria do teu olhar
Flores do campo 

Despertam e renovam-se
A cada mudança de ciclo
No rodopio da vida ao vento
São de novo semente
E as águas em sobressalto
Dão de beber à alegria
De novas flores na margem

Pelas margens em segredo
Não desistem e esperam
Por amor ou teimosia
As águas seguem livres
No silêncio do seu olhar

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

DO MEU SONHO




Trago-te um verso novo
Embrulhado num abraço.
Encontrei-o ao amanhecer
No papel de um rebuçado.

Para te dizer de verdade,
Inventei-o por ti esta noite.
Preso a uma nuvem branca,
De um sonho antigo, (e)terno.

Trago-te um verso puro, 
Cristalino, água doce, rio.
Sem margens, a tua voz,
Com sabor a vida, meu dia!


quarta-feira, 19 de agosto de 2020

E o Mar és Tu !




De asas feridas, num cansaço feito de voos a pique,
ainda ouço o teu canto preso no batimento do mar.
Ouso contar para que a voz não se cale para sempre!

Por entre ondas ou naufragando na praia de um sono
perdido, fecho os olhos e a dança do silêncio flui,
espreita as estrelas que adormecem além do horizonte.

O dia amanhece, acorda todos os castelos da praia.
Como gaivotas, seguimos o voo e sorrimos à vida,
recusando a morte da saudade, adormecida nas tuas mãos!


(Republicação)  dez.2015

Mafalda Arnauth - O Mar Fala de Ti



sexta-feira, 15 de maio de 2020

Entre o real e o imaginário








Algumas vezes precisamos seguir pelo imaginário
Voar num avião de papel , repousar naquela nuvem ali ao lado
Soltar as palavras e escrever ao sabor de um vento leve
Ou então subir ao ramo mais alto e colher o fruto maduro e doce
Abrir as janelas, escrever cartas ou reler coisas antigas
Acordar do sonho e perceber que adormecemos à sombra de uma velha cerejeira
Colher dois pares de cerejas e brincar ao "faz de conta" com os brincos novos, 
pendentes vermelhos que transformam o instante
Conseguir sentir no verso de um poema o sabor das cerejas acabadas de colher ...
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MJM - 09/05/2020

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terça-feira, 14 de abril de 2020

OS SEUS PASSOS







Ouviu o som dos seus passos
Quando se levantou devagar.
Um breve olhar pelas paredes.
Os quadros continuavam ali...
As estantes, os livros e a luz
Suave, na janela entreaberta.

Ligou o candeeiro da mesa.
Pegou num livro e de novo,
Eram os passos , só, os seus.
E os quadros no lugar de sempre...
As paredes caladas e a janela
Entreaberta, só, e uma leve brisa

- Olá. boa noite...
- Ah! É tão bom ouvir a tua voz!

Um som diferente e uma outra voz!
Passeou pela sala enquanto ouvia
E falava, repetia, ouvia e sorria ...
Os seus passos pareciam penas
Ou um bailado, uma dança doce.

- Boa noite!
-Também para ti...

- Boa noite e bons sonhos ...


Mª José M 14/04/2020

terça-feira, 29 de outubro de 2019

SEGUNDA CHANCE





(Divagações breves)

Como dizer-lhe que estar à sombra de si mesmo ou do outro, nada lhe acrescenta, só doí!
Como pedir-lhe que caminhe a seu lado e não queira brilhar demais, ofuscando o brilho natural que todos merecem...
Como lembrar que nada mais engrandece o outro, se de nós damos a simplicidade e oportunidade para crescer sem a solidão dos dias?!
Então, dá  uma segunda chance de seres sem apenas parecer, de estares sem que dêem por ti, de agires assertivamente, na mão dada à vida.
Dá uma segunda chance, ao lembrares quem ignoraste ou erradamente julgaste, por ti mesmo, que não pelo outro...
A segunda chance não é o assumir de erros ou afastamentos, pedidos de desculpa ou esquecimentos...
Nem tão pouco justifica distâncias com atitudes que não tomámos, proximidades que não queremos!
É apenas e só por merecimento ou bem querer...
Dá-te uma segunda chance!








sábado, 26 de outubro de 2019

Doce magia





Apenas pelo toque
nos cinzentos dias
Dás cor à vida

Por tuas mãos
Ingénua idade
Doce magia

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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

A CARTA







Escolheu o seu papel cuidadosamente 
como se fosse o mais bonito vestido. 
Pensou em todas as palavras já ditas
 E deixou a música tocar sem pausas.

O seu vestido de festa compôs o papel.
Talvez lembrando outra música ou a voz,
Embalando letras, num passo de dança,
Passo a passo, escrevendo novas palavras.


Há quanto tempo não escrevia uma carta,
Não sentia o cheiro da tinta nas entrelinhas
Ou o deslizar da sua mão firme mas leve,
Dizendo da vida , dos dias, dando notícias .



(A carta seguiu nesse mesmo dia...

Até hoje aguarda por uma resposta!)