quinta-feira, 3 de junho de 2010
Flores , entre tons e sons
Flor do Campo
Pedaços de terra esquecida,
Jardim de mil flores,
Semeado por mãos de menina.
Reflexos de um olhar,
No doce sorriso,
De quem sabe esperar!
Secretas pétalas,
No corpo do tempo.
A cor do vento,
Semeia novos caminhos...
Estrela do Mar,
Em corpo de Mulher,
Num desejo circular...
(Outubro 06)
.
Flor do Campo I
Esquecem algumas fragilidades e soltas
Germinam a cada instante, sem medos.
Docemente tomam forma, ganham vida.
Efémeras, penetram a terra no tempo,
Transformam suas tristezas numa dança.
Renovam-se naquela estranha claridade
Que lhes importa se um tempo vaidoso
Endureceu algumas das velhas árvores?
Altivas, rejeitam mudanças do novo dia!
Renovam-se a cada momento, voz estranha
Ora suave e calma, ou silenciosamente fresca
Na noite as embala e adormece, sem medos...
(Abril 07)
.
Flor do Campo II
Algo maior te ligou ao chão, à terra,
Abraça o vento onde nasceste, flor.
De ouro vestida em pétalas de fogo,
Frágil, saboreias o brilho forte do sol.
O tempo certo, refrescará teu canto!
(Maio 07)
.
Flor do Campo III
O tempo certo, refrescará teu canto?
Repousas dessa tua viagem e suave
adormeces na terra que te viu nascer!
No silêncio, permaneces sob um manto
e deixas correr o tempo longo ou breve,
num olhar solto para além do horizonte.
Se tuas pétalas foram orvalho, noite ou luz
não foi só pelo lamento, também pela Vida!
Da terra esquecida, aqui te deixo, FLOR...
(1 Agosto 07)
.
Flor do Campo IV
Mais que o querer falar (te)
das flores peço o teu perdão
Pelo tempo de alvos e puros
Esses, os cravos, em tua mão
Hoje são, vindas de longe,
outras cores ou ilusões, luz
feita sonho de urze no verso
Um tempo novo, em ti, seduz
(16 Nov. 07)
domingo, 23 de maio de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
SEI...
SEGREDO
«Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...»
Miguel Torga
sexta-feira, 5 de março de 2010
POETA, que o és!!

Hoje venho de longe
ler em cada verso (a verso)
uma lágrima não chorada
uma luz ainda por nascer
uma manhã (s)em poesia
Abro a janela de mansinho
deixo-te folhas de papel
um lápis de qualquer cor
A carvão de azul ou mar
Pouso suavemente uma mão
Uma mão cheia de palavras
Para nascerem novas manhãs
E poeta ao acordares digas:
- Hoje nasce de mim a poesia...
Parto no silêncio da noite
Deixo entreaberta a janela
Ao chegar o primeiro raio de sol
Junta as palavras e renasce...
(A cada verso, por tuas mãos)
POETA, que o és!!
( Nov 2007 )
*
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Um olhar pelo horizonte
Lá fora chove!
O olhar perde-se pelo horizonte.
Aquecida pelo verde, mesmo em movimento, a tentação de registar os tons cinzentos de uma viagem, adivinhando sementes de papoilas que hão-de florir!
*
VOLTAREI À MINHA TERRA
Letra:Tiago Torres da Silva
Música: Armandinho
Arranjo: Pedro Jóia
Intérprete: Tereza Salgueiro
Voltarei à minha terra
quando já estiver cansada
do destino que me leva
a andar de estrada em estrada
por enquanto eu adivinho:
este destino que pra mim escolhi
vai chegando de mansinho
quando eu descubro o caminho
que me vai levar a ti
minha terra é a distãncia
minha casa é o segundo
em que eu lembro aquela ânsia
que me chega da infância
e me leva pelo mundo
por isso é que sou menina
e não vou mudar de idade
chamo terra à minha sina
e chamo casa à saudade
se o relógio se adianta
prende-me o fado à garganta
e obriga-me a cantar
como se a qualquer momento
se escutasse a voz do vento
nas profundezas do mar
mas se o ponteiro se atrasa
chamo terra e chamo casa
ao antes e ao depois,
quando seguimos sozinhos
vamos abrindo caminhos
onde às vezes cabem dois
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
EVA - Comme les blés
Comme les blés
Album: Comme les blés (1965)
Si tu devais partir
Oh ! Si tu devais partir
Je resterais là sans te rappeler
Je ne pourrais pas pleurer
Triste comme les blés
Quand le vent les a quittés
Comme la vague qui ne retient pas
Le voilier qui s'en va
Que pleure le vent pour moi
Ou qu'il me donne cent voix
Que la rivière pleure dans mes yeux
La fin de mon ciel bleu
Si tu dois revenir
Oh ! Si tu dois revenir
Je resterai là sans pouvoir marcher
Et comme enracinée
Tendre comme les blés
Que le vent a caressés
Comme la vague qui vient se coucher
Au ventre du voilier
Que chante le vent pour moi
Ou qu'il me donne cent voix
Que la lumière coule à travers moi
Au ciel de notre joie
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
O voo das gaivotas
Um voo breve por"Palavras soltas"!!
E, ao passar, perguntaste-te :
- Ouvi a musica .... onde estão as palavras?!
Estão presas nas pontas dos dedos...
Em silêncio , talvez à espera de nada.
Ou aguardam a hora certa das gaivotas.
São palavras soltas , estas de hoje...
Como muitas que, divagando, voaram livres,
rumo a esse mar distante do meu olhar.
(Diz-me se é melhor partir, chegar ou esperar... )
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
Às vezes nevava
A NEVE
«Às vezes nevava.
O céu oferecia a neve para poder entrar na folia,
como qualquer de nós cedia a bola para entrar no jogo.
Os dedos só gelavam nos primeiros instantes.
Daí a pouco tempo, as mãos ardiam como brasas.
Às vezes nevava.
Era um lençol branco e imenso, quase sem limites.
Mesmo assim, alguns levavam braçadas de neve para casa,
na esperança de que assim não derretesse.
Uma qualquer espécie de alquimia
haveria de conservar o gelo
e transformá-lo em miragem perene e mágica,
para íntimo deleite.
Às vezes nevava.
Fazíamos anafados bonecos com apêndices postiços,
bolas de arremesso,
construções que a imaginação
e a quantidade de gelo permitiam,
escorregas improvisados.
Às vezes nevava
sem sabermos muito bem porquê,
nem o préstimo de tanta alvura. »
DE: João De Sousa Teixeira
EM :"CORPO DE POEMA "
Castelo Branco
Às vezes nevava
Como há muito tempo não fazia
Hoje a cidade vestiu-se de branco
Lavou-se de mágoas e trouxe magia
*
Às vezes nevava
E hoje ao abrir a janela por ela
entrou silenciosa no seu encanto
desfez-se em água pura alegria
*





