quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vida - divagações breves III




DA LUZ...


Quando olhares o céu,
uma estrela é sempre mais brilhante,
transforma o escuro em luar.
Quando ouvires uma melodia triste,
ao amanhecer, o canto do rouxinol
tudo inverte!


Se uma mágoa quiser apoderar-se de ti,
deixa o quente do sol beijar-te o rosto.
Se tiveres as mãos vazias deposita nelas
a suave cor, o toque de uma rosa.
(21 janeiro 2007)




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terça-feira, 11 de agosto de 2009

MEU FADO DE ESTUDANTE ...

Aguarela de Paulo Santiago - Fev. 1980

Gotas leves molham o rosto
lavam o silêncio num olhar triste


Das paredes já disformes
palavras cristalinas reflectem luz
Do grito nascem lágrimas
que repousam nas mãos frias


Tarde de Inverno!

(1980)
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Hoje sorrio ao lembrar esses tempos ( antes e depois de 1980).
Em Janeiro desse ano, a alegria do regresso a casa mas também a saudade dos amigos que nunca mais vi.
Novos desafios surgiram no horizonte ...
Outros "fados", um mesmo "destino", o meu!
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Madrededeus--Faluas do Tejo

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sábado, 1 de agosto de 2009

FADO DO ESTUDANTE

(também conhecido pelo nome "fado do Vasquinho")

«Que negra sina ver-me assim
Que sorte vil degradante
Ai que saudade eu sinto em mim
Do meu viver de estudante

Nesse fugaz tempo de Amor
Que de um rapaz é o melhor
Era um audaz conquistador das raparigas
De capa ao ar cabeça ao léu
Só para amar vivia eu
Sem me ralar e tudo mais eram cantigas.

Nenhuma delas me prendeu
Deixá-las eu era canja
Até o dia em que apareceu
Essa traidora da franja

Sempre a tinir sem um tostão
Batina a abrir por um rasgão
Botas a rir ,um bengalão e ar descarado
A vadiar com outros mais
Ia dançar para os arraiais
Para namorar beber, folgar, cantar o fado

Recordo agora com saudade
Os calhamaços que eu lia
Os professores da faculdade
E a mesa da anatomia

Invoco em mim recordações
Que não têm fim dessas lições
Frente ao jardim do velho campo de Santana
Aulas que eu dava e se eu estudasse
Onde ainda estava nessa classe
A que eu faltava sete dias por semana

O Fado é toda a minha fé
Embala, encanta e inebria
Pois chega a ser bonito até
Na radio - telefonia

Quando é tocado com calor
Bem atirado e a rigor
É belo o Fado, ninguém há que lhe resista
É a canção mais popular, tem emoção faz-nos vibrar
Eis a razão de eu ser Doutor e ser Fadista»


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O "Fado do estudante" foi interpretado pela primeira vez por Vasco Santana no filme "A Canção de Lisboa" de Cottinelli Telmo.

Realizado em 1933, foi o primeiro filme sonoro feito em Portugal.



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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Vida - divagações breves II



Guarda-jóias de minha Mãe

...era uma caixinha com aplicações de madrepérola, o guarda-jóias que poderia estar em cima de uma cómoda, no quarto de minha mãe. Talvez com anéis, pulseiras e , quem sabe, algum bilhete especial, bem dobrado e guardado cuidadosamente....

Aquele guarda- jóias não era meu mas cuidava-o como se o fosse! Não tinha ouro ou missangas, bilhetes nem segredos ; apenas os pequenos espelhos, divisórias em veludo vermelho, a bailarina e um botão de corda!

Pé ante pé, quantas vezes me escondi num cantinho da sala grande para lhe tocar. Devagarinho, levantava a tampa e via aquela bailarina vestida de tule rosa. Rodava, rodopiava e eu não me cansava de a olhar! Repetia vezes sem conta o mesmo gesto de lhe dar corda para mais um instante mágico de dança....

Hoje ainda está no mesmo lugar. Quando o vejo, nem sempre o abro... Olho e sorrio para mim.Por breves instantes relembro esses tempos, outros tempos, de menina.

Talvez haja um tempo certo para sentir a magia de uma caixinha de música (ou não!) .

Há lembranças que ficam, sempre.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Vida - divagações breves I




Musica "Papa Can You Hear Me?"


Chuva ou sol nem sempre importa!
O tempo que faz não corresponde ao tempo que temos ou inventamos ,se queremos!

Damos a desculpa da falta de tempo quando"chove" e o chapéu de chuva é só nosso...
não podemos molhar o rosto?!

E mesmo se faz sol, escondemo-nos na primeira sombra ( até de nós mesmos), num recanto qualquer!

Quando nos revelamos como podemos ou queremos, soltam-se pedaços do que somos e percebemos que o tempo também nos pertence! No abraço dado,o momento de um passeio ,
nas cumplicidades, o Viver...

Momentos felizes algumas vezes são feitos de gestos simples, no crer e querer!

( perdi o meu chapéu de chuva!!)


sexta-feira, 15 de maio de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Corpo de Poema

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Capa do livro - "Ro(s)tos do meu País"
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Com "CORPO DE POEMA " nasce um novo espaço.
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Transcrevo :
"Foi em Maio de 1972 – sim, não tarda, há 37 anos – que o Ambrósio concebeu a capa e o arranjo gráfico dos versos que em livro primeiro atirei à rua. É justo aqui salientar o Ambrósio Ferreira pelo seu desvelo, mas foram mais os que se empenharam nesta quase conspirativa ideia de lançar um livro de poemas de combate, contra medos, ventos e marés."
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Não vou falar da obra do Poeta que é vasta e rica não só na poesia como nas crónicas que sempre gostei de ler.
Tenho aqui dois dos livros publicados. "Ro(s)tos do meu País"e "Rebuçados, Caramelos e Sonetos"
Deste último, deixo-vos um "Rebuçado"
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Na minha modesta opinião
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"Para quê teimar,
se digo sim e você não.
Uma coisa é opinar
outra é ter razão.
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Uso do contraditório,
admito.
Sempre dá mais falatório
e, se fizer falta, repito.
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Em vez de bomba, botija;
em vez de bronco, bronquite.
Mas, 'spere aí, não se aflija,
é apenas um palpite.
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Isto de opinar tem
muito que se lhe diga:
o doador é quem
com a doação fica."
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Em: Rebuçados, Caramelos & Sonetos"
João de Sousa Teixeira

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Castelos no ar ...

Fotografia de Martina Skorob
"Dandelion"
"Ninguém vê
O dia a nascer
O amanhecer
Ninguém vê
A vida acontecer
Ninguém faz castelos
No ar
E não há quem queira
Sonhar
Já ninguém pára
P'ra ver em vez de olhar
Já não há
Quem repare no luar"
(Da letra de: "Castelos no ar" )
Fotografia de Martina Skorob
" princeza petra voli maslacke"

I

"Hoje fiz de conta
Que o mundo era meu
Quis pinta-lo alegre
Como eu
Mostrar a toda gente
O que estava a sentir
Como as coisas simples
Nos fazem sorrir
II
Hoje fiz de conta
Que tinha o mundo na mão
Quis que não fosse um deserto
De solidão
Toda gente corre
Sem saber
E passa pela vida
Sem viver"
(...)

(Da letra de : "Castelos no ar")

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Música:" Castelos no ar"
Rita Guerra



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