quinta-feira, 9 de julho de 2009

Vida - divagações breves II



Guarda-jóias de minha Mãe

...era uma caixinha com aplicações de madrepérola, o guarda-jóias que poderia estar em cima de uma cómoda, no quarto de minha mãe. Talvez com anéis, pulseiras e , quem sabe, algum bilhete especial, bem dobrado e guardado cuidadosamente....

Aquele guarda- jóias não era meu mas cuidava-o como se o fosse! Não tinha ouro ou missangas, bilhetes nem segredos ; apenas os pequenos espelhos, divisórias em veludo vermelho, a bailarina e um botão de corda!

Pé ante pé, quantas vezes me escondi num cantinho da sala grande para lhe tocar. Devagarinho, levantava a tampa e via aquela bailarina vestida de tule rosa. Rodava, rodopiava e eu não me cansava de a olhar! Repetia vezes sem conta o mesmo gesto de lhe dar corda para mais um instante mágico de dança....

Hoje ainda está no mesmo lugar. Quando o vejo, nem sempre o abro... Olho e sorrio para mim.Por breves instantes relembro esses tempos, outros tempos, de menina.

Talvez haja um tempo certo para sentir a magia de uma caixinha de música (ou não!) .

Há lembranças que ficam, sempre.

8 comentários:

In Loko disse...

Há de facto lembranças que ficam para sempre, deixam marcas bem vivas e profundas num cantinho dentro de nós... foram construídas com as ferramentas do Amor, das emoções, e estas lembranças NUNCA se apagam mesmo com alguma erosão do tempo que vai passando!
Gostei de ler isto minha amiga, fizeste-me relembrar momentos meus e de minha mãe!

Beijinhos MJ
http://www.youtube.com/watch?v=nJOm1njWb9Q

João de Sousa Teixeira disse...

Eu, pelo contrário, tinha um galheteiro... Não leves a mal, não estou a brincar: tinha (e tenho!) um galheteito com música - prenda de casamento da minha avó - que me fascinava também o seu som.
Em pequeno, a minha avó ralhava-me quando o punha a tocar; hoje tenho-o comigo e toca as vezes que eu quiser.

Beijinho
João

A Magia da Noite disse...

há sempre um tempo para sentir, o que quer que seja, até, uma caixinha de música.

DE-PROPOSITO disse...

Há lembranças que ficam, sempre.
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É evidente que há lembranças que ficam para sempre. Umas boas, outras más. Mas as más, tentamos não as lembrar, embora nem sempre o consigamos. É a vida!
Fica bem.
E a felicidade por aí.

Anónimo disse...

Olá,

Bonito guarda-jóias.

M. Barata

Nilson Barcelli disse...

Doce lembrança de uma magia que perdura na tua memória.
Belo texto querida amiga, gostei da quietude das tuas palavras.
Bom fim de semana, beijo.

Vieira Calado disse...

Olá, boa tarde!


dei por aqui uma volta

e devo dizer que achei o blog

variado e interessante.


Cumprimentos meus

muguet disse...

"As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudade
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir..."

quer algum dia tenhamos aberto uma caixinha encantada, quer não, é uma memória que pertence a todos :)))