quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Mancha Urbana


Mancha Urbana... - 2006
Acrílico sobre tela ,100 x 150 cm de L. Silveira



A mancha urbana da noite
esbate-se num fogo morno,
pisando o chão da Cidade.

Com passo firme,
esconde o grito surdo e a má sorte,
pelos dias de ruas vazias.

Perdido no tempo,sente a casa
despida de contornos.

Hoje, um passeio ao entardecer.
Na rua antiga, feita de palavras,
brinca com as pedras da calçada.
Em cada aresta sente tremer o chão.
Nos prédios manchados pelo tempo,
o perfil branco ou rosa, envelhecido.
Quente, o sol, lembra a hora de partir.
De longe , parecerá  perdida, a Cidade.
Traço a traço, deixa soltas as linhas
e, de mãos vazias, afasta-se dela...


Sem saber se é mancha ou jogo de luz.
Onde se revela ou esconde, tanto faz!



2 comentários:

poeta_silente disse...

Um comentário para dizer: "Sem palavras!"
Que belíssima poesia, MJ. Fiquei muda...
Bjos saudosos.
Miriam

João de Sousa Teixeira disse...

Muito bem, muito bem: um discurso simples e exacto da cidade. Muito bem mesmo!