sábado, 3 de novembro de 2012

Asas Brancas


ASAS BRANCAS




"Quando era pequenino a desventura

Trazia-me saudoso e triste o rosto,

Assim como quem sofre algum desgosto,

Assim como quem chora de amargura.



Um anjo de asas brancas muito finas,

Sabendo-me infeliz mas inocente,

Cedeu-me as suas asas pequeninas,

Para me ver voar e ser contente.



As asas de criança, meu tesoiro,

Ao ver-me assim tão triste, iam ao céu...

Tão brancas, tão macias -- penas de oiro --

Tão leves como a aragem... como eu!



Cresci. Cresceram culpas juntamente,

Já grandes são as mágoas mais pequenas!

As asas brancas vão-se... e ficam penas!

Não mais subi ao céu, nem fui contente."


...Quando era bem pequenina, pegavas-me ao colo e tudo parecia mudar de repente
Fugiam os medos e voltava o riso, sentia-me grande embora sendo tão menina

Hoje apetece-me pegar nesse par de asas, subir ao azul do céu acinzentado dos teus olhos
Dar-te um beijo, sorrir para ti e saltar para os teus braços, no abraço que te deixo

Quem parte fica sempre no nosso coração
No todo do tudo que em mim és, PAI


(23/3/1923 - 3/11/2011)



1 comentário:

Henrique disse...

"...que em mim és, PAI"...
Esse ser de um sendo, sendo sempre, é a homenagem -escolhida ou não- por excelência. Algo de que estamos desobrigados, mas que nos traria perdidos se não tivéssemos...Um abraço.H