segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Memórias de Natal













Leva-me o pensamento para tempos distantes.


O musgo, suavemente retirado dos campos, fazia o chão verde e fresco do presépio.
As imagens eram colocadas a preceito e o Menino, rodeado de calor, naquela cabana  de pequenos troncos, parecia sorrir...
Descalços, os nossos pés dormiam presos ao sapato deixado junto à chaminé!
Um chocolate, uma boneca...
Havia sempre qualquer coisa, mesmo que pequenina!

Gostaria que todas as crianças pudessem ter um colo, um pedaço de pão, alegria e esperança.


A verdadeira essência desta época e da vida está nos gestos simples…
Um sorriso, o olhar de um rosto sereno, a bondade de quem sabe dar e receber.
É Natal!



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Memórias



" Quando não posso falar,
Fico em silêncio!"



I



Encosto a mão,

Abro a janela, num movimento singular.

Percorro o espaço que dele me separa.

A árvore, seus braços convidam,

Chegar ao ramo mais alto,
Colher o fruto maduro e doce...

(10 -01- 2007)


II

Encosto a janela,
Fecho as palavras no momento de partir.
Fica a linha do horizonte presa no olhar
E este espaço de palavras musica e imagem
Além do Horizonte ...



sábado, 3 de novembro de 2012

Asas Brancas


ASAS BRANCAS




"Quando era pequenino a desventura

Trazia-me saudoso e triste o rosto,

Assim como quem sofre algum desgosto,

Assim como quem chora de amargura.



Um anjo de asas brancas muito finas,

Sabendo-me infeliz mas inocente,

Cedeu-me as suas asas pequeninas,

Para me ver voar e ser contente.



As asas de criança, meu tesoiro,

Ao ver-me assim tão triste, iam ao céu...

Tão brancas, tão macias -- penas de oiro --

Tão leves como a aragem... como eu!



Cresci. Cresceram culpas juntamente,

Já grandes são as mágoas mais pequenas!

As asas brancas vão-se... e ficam penas!

Não mais subi ao céu, nem fui contente."


...Quando era bem pequenina, pegavas-me ao colo e tudo parecia mudar de repente
Fugiam os medos e voltava o riso, sentia-me grande embora sendo tão menina

Hoje apetece-me pegar nesse par de asas, subir ao azul do céu acinzentado dos teus olhos
Dar-te um beijo, sorrir para ti e saltar para os teus braços, no abraço que te deixo

Quem parte fica sempre no nosso coração
No todo do tudo que em mim és, PAI


(23/3/1923 - 3/11/2011)



domingo, 9 de setembro de 2012

O chão que pisas ...





À noite, as estrelas  são luz .
Outras, de dia, perdem brilho.

Algumas, aparentemente frias,
de si, dão toda a vida e calor .


Estrela,
numa canção d’embalar...



 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Nome de Mar






Para além do horizonte,

Seguem o seu caminho,

Partem sem dizer adeus.


 

Elas, as palavras escritas,

    Desaguam no mar de silêncios.








quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Tons e Sons ...





 
... Entre tons e sons, no silêncio, quase sinto a música do piano, da flauta, de um violino...
Uma guitarra, no fado cantado! O adufe e a voz do campo, da terra...


O azul do mar, onde o olhar se prende ou se solta.
Podemos senti-lo de forma diferente: tranquilo , sereno , revolto, em ondas mais agitadas...


Mas é preciso saber ver, ouvir; querer sentir !

...não sabia quando iria voltar a escrever.

Acredito que, na vida, há o tempo certo para dizer ou ficar em silêncio.

Nem sempre sabemos se o mar vai estar tranquilo no minuto seguinte...
Se a brisa fica mais forte e o vento solta a areia!
Porque uma nuvem segue o seu caminho ou chega o tempo de chover!

Mas, se estivermos atentos aos tons e sons que nos envolvem, a clave de sol ficará mais nítida na pauta dos dias.






sábado, 28 de julho de 2012

Em que pensas...







Além do Horizonte ...
Um espaço de
palavras,música e
imagem ...


Era esta a apresentação do meu primeiro Blogue que mantive entre novembro de 2006 e janeiro de 2009.
Mais tarde,  ficou apenas o registo em papel.A pouco e pouco, como tenho vindo a fazer, colocarei aqui alguns poemas, momentos/ memórias desse espaço.
Devo-o a mim e a quem, comentando ou dizendo-o pessoalmente, me incentivou a continuar nesta partilha de palavras soltas - entre tons e sons.


 

-Em que pensas, Vento?
- Agora não quero pensar!

O vento bom, mesmo breve
enquanto passa no tempo,
  se não o diz, deixai o Vento
descansar só, em silêncio.


sábado, 21 de julho de 2012

IMPERDOÁVEL

 

letra

Imperdoável é o que não vivi
Imperdoável é o que esqueci
Imperdoável é desistir de lutar
Imperdoável é não perdoar


Tive dois reis na mão
E não gostei
Vi catedrais no céu
Não as visitei
Vi carrosséis no mar
Mas não mergulhei
Imperdoável é o que abandonei

Vejo-me cego e confuso nesta cama a latejar
O que seria de mim sem o meu sentido de humor
Praticamente mudo sinto a máquina a bater
É o rugido infernal destas veias a ferver

Imperdoável é dispensar a razão
Imperdoável é pisar quem está no chão
Imperdoável é esquecer quem bem nos quer
Imperdoável é não sobreviver


Vejo-me cego e confuso nesta cama a latejar
O que seria de mim sem o meu sentido de humor
Praticamente mudo sinto a máquina a bater
É o rugido infernal destas veias a ferver


Imperdoável é o que não vivi
Imperdoável é o que esqueci
Imperdoável é desistir de lutar
Imperdoável é não perdoar

Não perdoar
Não perdoar
Não perdoar





sábado, 14 de julho de 2012

NEVOEIRO...

 Castelo Branco





Um manto cinzento tomba sobre a cidade.
Parece esconder a Vida, o seu movimento!
O casario descoberto nas cores,
Sons de um pregão matinal...


Mas que se apregoa hoje?



O Nevoeiro que vestimos ?
A ilusão das palavras ditas?
A máscara de um sorriso,
Na lágrima que não dizemos?


O silêncio dos pregões matinais!






sábado, 7 de julho de 2012

Da luz ...




Quando olhares o céu,
uma estrela é sempre mais brilhante...
transforma o escuro em luar.

Quando ouvires uma melodia triste,
ao amanhecer, o canto de um rouxinol,
tudo inverte.


Se uma mágoa quiser apoderar-se de ti,
deixa o quente do sol beijar-te o rosto.


Se tiveres as mãos vazias, deposita nelas
a suave cor, o toque de uma rosa.





sábado, 30 de junho de 2012

Palavras

"Momentos de Poesia"


Saber que me lês,  quanto basta
Saber o que lês, nem sempre é
Saber de mim, além da palavra.

Dizer de ti, só será o momento
Dizer, a cada palavra que não é
Dizer, não de mim mas como vês.

Palavra ?






domingo, 24 de junho de 2012

NAS MÃOS





Nas mãos em cada linha
De uma impressão digital
Linhas de vida que se afastam
Outras cruzam-se
Adornadas com anéis dourados
Coloridas contas de missangas
Felizes mãos das crianças
Olhares prendem movimentos
Mais ou menos lentos de mãos quietas
Ou marcadas pelo tempo
Mãos que escrevem cantam
Trabalham e sorriem
Vestem-se de lã
seda ou coisa nenhuma
Nas mãos das mãos
Nascem presentes
Dádiva a cada gesto despido
Onde tempos ou espaços
Esperam novo amanhecer







sábado, 2 de junho de 2012

Lágrima(s)








Sabes?!


Não poderás saber !
Finge ou desmente ...
Só sabe da lágrima
Quem deveras sente.



Pôs o coração a jeito
E vestiu-se de azul!




sábado, 19 de maio de 2012

SABOR A SAL






I

Barco ancorado num cais,
Preso ao azul do mar…
Ondas tocam as amarras!
A areia traz a saudade,
De navegar…

A espuma deixa
Sabor a sal…
No corpo, no rosto
Inventa-se o riso,
Do imaginário azul!

Pela suave brisa,
Soltam-se palavras,
Partem com o voo
Das gaivotas da praia.
Presas nas suas asas.


II 

A brisa já não beija o rosto
Porque partiram as asas
E levaram os segredos…
No mar perdeu-se,
Uma onda breve!

Fica o azul do céu,
Sabor a sal...
Que na noite,
Traz o brilho,
De uma estrela distante.