quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Painel do tempo



I - Por séculos de um passado imaginário

ARTEH® Info H. REAL PALACIO - Lisboa





No Paço Real guarda-se a memória de outros rostos,
Painel do Tempo, unindo pedaços soltos, história(s)

Uma carruagem antiga, a pressa, a visita inesperada.


Cumplicidades, vestidos longos, em festas de gala.
O choro de quem chega ao Mundo, embalo de amas,
Por mãe, na dor sublime e filial, alegria plena , Vida.



Uma carta escrita ao sabor da pena, o romance anuncia.
Cetins e sapatos de verniz, chapéu de plumas, em espera.
Ou o lamento da perda, um amor impossivel , a renúncia.




No castiçal de prata , outra luz indica caminhos na noite.
Tempo de repouso ou a fuga para um destino qualquer...
Há os que dormem em sossego, outros partem sem norte!


I I - Memórias...

No ano de 1927, Sidónio Pais terá habitado também por este espaço. Se o sentiu como casa, isso ultrapassa o meu conhecimento e não vou por aí dar largas ao imaginário. Deixo essa parte de lado,no que poderá ser confirmado ou não em registos de época.

No Ano de ______ , terá sido criado o Instituto Sidónio Pais. Dessa data também não tenho memória! Registos ou outras informações, não encontrei pelas vias habituais a que tenho acesso por aqui.

No ano de 1972, acho que estive por lá!!

Embora a ironia nem sempre faça parte do que escrevo, parece-me, neste caso particular, um bom caminho!
Desses anos,muitas lembranças ficaram mas (e não havendo memória... ) o melhor mesmo talvez seja pensar:
- Não, não foi aqui que estive!!!
Fazendo uso de alguma criatividade e da capacidade de recorrer ao sonho...
-Não me apetece ter pesadelos!!!
(Esse lugar tinha outras cores...
Um uniforme em azul e branco, muitos rostos, muitos dias e longas noites...
Cedendo à tentação de lembrar, quase vislumbro uma enorme palmeira num dos pátios.
Sons e tons de outro tempo.
Ah! E como peça de vestuário, o xadrez miudinho das batas...
Saudades?? De algumas pessoas, sim.
Do espaço em si?? Do que foi?? Já não! )

Algumas vezes os espaços por onde nos movemos também são importantes mas devemos conseguir "encerrar" certos espaços ( de tempo passado) e deitar fora a chave!

Ficam estas palavras soltas, sem mágoas, sem ressentimentos ou de má memória!
(Não fui eu, nao foi a Maria, a Ana, a ..., a ... )
Ao longo da vida atribuem-nos números pelos mais diversos motivos. Continuaremos, em todos os casos, a ser considerados e tratados como pessoas?
Gostaria de dizer que sim...
- Que será feito de ti, número 9 ?
  • Encerro este capítulo!

III - Painel do tempo

ARTEH® Info - H. REAL PALACIO - Lisboa



No Ano de 2008, se acontecer, será agradável visitar este magnífico espaço e, quem sabe, tomar um café!!

São muito bonitos os painéis de azulejos setecentistas ( ... lembro-me sim !)

(Agora, sem ironia,sem o cinzento de alguns momentos do passado, sei que um dia desses, se passar por perto, não resistirei a espreitar por uma das vidraças...)

- 11 Janeiro 2008 - Mª Jose M.

___________________

  • "O Palácio Guedes Quinhones é uma Casa nobre construida no SÉC XVII e anexa ao Hotel Real Palácio. Trata-se de um exemplar característico da arquitectura "estilo chão" que foi a residência da Familia Quinhones durante 10 gerações.

  • Em 1927, foi residência do Presidente Sidónio Pais.
  • Recentamente restaurado este palacete conservou o seu interior magnífico e atmosfera romântica da época. Conserva no seu interior um importante conjunto de belíssimos painéis de azulejos setecentistas atribuídos à oficina do mestre P.M.P. "
( em - portugalvirtual )


Música: "Pavane" - Aria. Vol.2



16 comentários:

In Loko disse...

Levaste-me minha amiga a passear neste Painel do Tempo... as tuas palavras deixaram-me ver lembranças e acontecimentos, umas tuas outras da história... e visitar estes sítios é deveras bem interessante. Sítios e lugares que te dizem muito, que nos dizem muito, e, parece-me, vamos esquecendo aos poucos.
O Palácio Guedes Quinhones, que só conheço de nome, casa de Sidónio Pais, devia ser mais conhecido e visitado e admirado talvez esteja agora em rota só para alguns.

Gostei muito de mais este teu passear na história e lembranças Maria João!!!

Beijinhos

Ana Luz disse...

Ei... Acho que me estou a lembrar. Apresenta-se o nº9 do pesadelo... ou estarei a sonhar, também eu? Havia a palmeira, o baloiço, a amoreira,os bichos da seda...

Não recordo rostos. Não quero. Mas sento-me, hoje, anónima, no pátio interior do que resta do que foi nosso, e tomo o café amargo das lágrimas que ainda caem.

Um beijo

poeta_silente disse...

OI, amiga.
Infelizmente nada posso comentar deste teu post. Quando um post se refere ao passado do escritor, e este está escrito em metáforas, falando de acontecimentos que não temos conhecimento, nada pode ser percebido. Além do quê, eu também não tenho conhecimento da história de Portugal.
O que posso dizer? Que está bem escrito. Que soubesses usar as palavras. Que demonstraste que tiveste uma vivência neste local. Nada mais. Mas... vamos em frente, porque creio que vais compreender minha total incapacidade de penetrar nos corredores sombrios e envelhecidos de memórias não agradáveis de serem lembradas.
Beijos, querida.
Deus te abençoe.
Miriam

DE-PROPOSITO disse...

mas devemos conseguir "encerrar" certos espaços.
--------------
Seria bom, que tudo fosse assim tão simples, e conseguíssemos encerrar (apagar), certos momentos das nossas vidas. Se isso acontecesso, talvez deixasse de ter o significado que tem, uma vez que podíamos começar tudo de novo.
Fica bem.
E a felicidade por aí.
Manuel

© Piedade Araújo Sol disse...

Um bonito painel do tempo...

poeta_silente disse...

Vamos postar??? Sinto falta das tuas palavras.
beijos recobertos de carinho e amizade.
Miriam

Daniel Aladiah disse...

Poesia, informação e comentário. Muito bom.
Um beijo
Daniel

Joao disse...

Bom dia

A propósito ou não, a verdade é que me apeteceu citar Daniel Filipe em a Invenção do Amor:
"(Mas um grito de esperança inconsequente vem
do fundo da noite envolver a cidade
au bout du chagrin une fenétre ouverte une fenétre eclairée."

O mundo é já ali.
João

Júlia Moura Lopes disse...

Apercebi-me que mencionou o Instituto Sidónio Pais. Será o mesmo que eu conheço e frquentei,na Rua Santo Ildefonso no Porto?

Vim parar aqui, procurando no google uma foto do mesmo..

Pedro disse...

O instituto Sidónio pais, que creio já encerrou, situa-se no mosteiro santos o velho(frente a escola Patrício prazeres), na zona do alto de são João, Lisboa. Um mosteiro que resistiu ao terramoto de 1755,tem um grande conjunto de azulejos que vale a pena ver.Fui antigo aluno, já agora fica perto da casa pia.Obrigado e gostei bastante do seu blogge

Anónimo disse...

Fui aluno dessa prestigiosa cas entre 10946 , 1947 e 1948
AI passei minha infância sem preocupaçoes mesmo se...os tempos nao eram bons...saida da guerra etc etc
Mas...ai vivi momentos inesqueciveis que "forjaram" meu caracter de homem
Estou ausente do Pais ha muitissimos anos...mas...nunca equeci a lingua de Camoes.
Obrigado por me permitir de , apesar da minha idade canonica , sonhar e recordar esses temps inesqueciveis
Bravo por vosso blog.....a "alma" portuguesa nunca se perde
Agradecimentos sinceros
Lourival Veiga

Milena disse...

Olá... gostei mto da leitura.
Sabes, muitas vezes qdo viajo no tempo, em pensamentos ou palavras, vivo o momento, mas deixo tudo lá... lá no seu lugar. E fico no aqui e agora... ou seja no HOJE. Raramente carrego coisas que me façam sofrer, seja por coisas boas ou más. Passou... ainda bem, afinal tudo passa. E eu vou andar por aí, lol, espero que ainda por muito tempo.
Bjuxxxxxxxx
MLena

rafa disse...

olá Pedro..andava eu por aqui à procura do "sidónio" quando ao ler o teu comentário fiquei agradado por ncontrar um antigo aluno!
gostava de saber mais de antigos alunos..já agora eu era o 23..
foi um sitio que me marcou..
obrigado
bem hajam

mfilobarros@hotmail.com disse...

Ao procurar Instituto Sidónio Pais no google encontrei este blog. também eu fui aluna do "Instituto" de farda azul e branca (e tailler aos quadradinhos para as festividades de gala)na já longínqua década de setenta.
o Instituto fundadado (?) por Amália Luazes para proporcionar educação e estudos a filhos de professores em dificuldades económicas tinha em Lisboa a secção feminina, no número 250 da Rua de S. Sebastião da Pedreira, e a secção masculina no Mosteiro de Santos-o-Novo lá para os lados de santa Apolónia. havia também, tanto quanto sei, uma secção no Porto.
O Instituto que era propriedade do Estado foi extinto nos anos noventa. A secção feminina foi vendida, depois de algum tempo de abandono e deu lugar agora a um hotel. na secção masculina funciona agora um lar para filhos de professores de todos os níveis de ensino.
Gostava de saber mais da história de uma instituição que ajudou, para o mal e para o bem, a moldar o carácter de tantas/os de nós.
Tenho tentado encontrar antigas alunas de quem perdi o rasto no facebook. Se quiserem contactem.
Forte Abraço: Filomena Barros (n.º 96)

Anónimo disse...

Fui o nº 31 durante 9 longos anos. O tempo passa, a memoria fica. Dancei nas escadas dos azulejos imitando o Fred Astair e a Ginger Roger sapateando no mármore. Lembro-me do frio do espaço enorme, de um certo desconsolo e solidão que só as amizades ajudaram a passar. lembro-me do tocar da sineta e das enormes portas a fecharem-se. Felizmente havia o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho onde o futuro existia.

Anónimo disse...

E a cumplicidade, a amizade que se foi construindo durante os anos em que vivemos como irmãs e que perdura sem querer saber se é passado, presente ou futuro, não conta?