sábado, 8 de setembro de 2007

Entardecer de um dia...

fotografia * White Angel
Pedi-te uma fotografia para palavras soltas!
(Obrigada, minha amiga. Escolheste bem! )
O entardecer de um dia.
O aproximar da noite...
Sempre neste ciclo que se sucede a cada vinte e quatro horas...
E quantas coisas me lembraram ao fixar o olhar neste por do sol!
Palavras...
Tempos de Estudante!
Uma certa tarde, deram-nos um tema para desenvolver na disciplina de Língua Portuguesa.
Seria mais ou menos assim:
- Nas vinte e quatro horas de um dia , o que fazemos ou inventamos para modificar o Mundo?
Todos nós, com vinte e poucos anos, ficámos meio encolhidos e de algum modo sem saber que volta dar àquela frase ou à folha de papel ...
Lembro-me que fiquei um bom tempo a olhar para os meus colegas, para a frase no quadro negro e para a professora. De pouco adiantou.
Confesso que me senti sem saber o que dizer!!
Após o embaraço inicial uns escreviam, outros tentavam inspirar-se no vizinho do lado...
Eu continuava distraída da folha de papel e brincava com a esferográfica sem me ocorrer uma palavra por onde começar...
Lembro-me de ter olhado pela janela...
À procura de uma pista, sei lá eu bem!
Mas daquela sala do segundo andar não se viam as pessoas na rua ou qualquer situação mais ou menos insólita...
Da janela só se viam os ramos mais altos das árvores e o céu, provavelmente com algumas nuvens.
Se no azul estivesse por momentos um daqueles traços que os aviões deixam ...
Não passaram aviões!
E o tempo, quase o esqueci.
A folha tinha o meu nome, a tal frase e linhas em branco.
De repente senti um ligeiro toque no braço.
Do meu lado direito, uma voz perguntou quase em surdina:
- Então, não escreves?? Já faltam quinze minutos!!´
Pensei...
Quinze minutos!?
Muito ou pouco tempo??
Naquele instante olhei a cara meio apreensiva do meu colega e fiquei sem resposta!
Virei-me para a dita folha como se lhe pedisse ajuda...
Não tinha saída possível. Escrevi a primeira palavra e outras se seguiram.
Desliguei daquele espaço,da sala, da professora, do colega do lado.
Perdi-me pelo mundo, numa hipotética viagem de vinte e quatro horas.
(Em quinze minutos... )







2 comentários:

Henrique Mendes disse...

Fechar-se num espaço isolado, criado por você, onde ninguém chega sem eutorização, e que funciona sob regras muuuuiiito flexíveis, no que respeita ao tempo...pode ser uma boa !
Pelos vistos, já está sendo, que os textos estão muito bonitos ! Mas, amiga, importa não esquecer que é importante manter o contacto aberto com o mundo, uma ponte de onde possam vir outras pessoas, outras emoções mais físicas, mais distantes das escolhas emocionais
feitas em momentos sofridos como os que vc tem vivido...né?

( quem sabe um principe encantado, um dia, insuspeitadamente, cruze essa ponte...)

Voltarei, e irei lendo, sim, com muito prazer !

Claro que não esquecerei do outro.
Beijo

Anónimo disse...

A pouco e pouco, hei-de vasculhar os seus "blogs". É assim, lentamente, que a coisa me dá imenso prazer.
De um modo geral, só faço o que me dá prazer. Tirando aquelas sete horas que vendo diariamente.
Já tive situações idênticas e já fiz viagens idênticas à sua.De resto, penso que a escrita é sempre uma viagem. Grande ou pequena.
Manuel da Mata